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Um passarim, que canta baixinho e faz seu ninho, que é pr'um dia acolher seu bem que vai chegar. Um passarim, que bica uma flor e nem por isso é beija-flor. Um passarim, que também é peixe, que resolveu fazer do céu o seu mar. E assim vai voando, e cantarolando, até se encontrar. E enquanto isto, o sol fica a lhe guiar. E assim também a luz do luar.

domingo, 14 de agosto de 2011

Impressões Corporais

 Todo artista tem por essência uma coisa: expressar o subjetivo dentro de um espaço e um tempo. Então, cria-se uma realidade paralela. Este processo se caracteriza pela objetivação das impressões que ele elabora da relação com tudo o que se constitui como o mundo com que troca experiências (*e elas serão sempre entre Um e Outro(s)) . Subjetivo e objetivo não se dicotomizam, mas se integram numa tentativa de satisfazer a ação do autor, mesmo ele não tendo um conhecimento teórico e acadêmico sobre isto. Vide a arte pré-histórica, constatando que assim que o homem começa a estabelecer uma reflexão sobre suas práticas/ações/atitudes, a construção de um arcabouço teórico e, mais pra frente, acadêmico, se inicia para uma identificação deste conhecimento então produzido.
 Nós todos, sejamos das artes cênicas, da música, das artes visuais ou da literatura, então, registramos nossas percepções interiores interferindo na relação entre as estruturas tempo/espaço. Interferimos registrando, para se criar memórias (para estabelecermos lugares das nossas relações cognitivo-afetivas: lembrei-me do não-lugar, Mairia...). Afinal, sem lugares estabelecidos, perdemos referências (e sem referências, caímos num 'vazio'?...). E se registramos é porque gravamos. A matriz está em algum local: está em nosso corpo, em todos os seus sentidos - eis então, a matriz primordial do ser humano. Pois é preciso especificar de que se trata de algo nosso, do homo sapiens, já que registros e memórias são encontradas também na Natureza, desde o primeiro momento de sua existência. Nós homens é que não sempre estivemos presentes, participando destas ocorrências alheias.

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