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Um passarim, que canta baixinho e faz seu ninho, que é pr'um dia acolher seu bem que vai chegar. Um passarim, que bica uma flor e nem por isso é beija-flor. Um passarim, que também é peixe, que resolveu fazer do céu o seu mar. E assim vai voando, e cantarolando, até se encontrar. E enquanto isto, o sol fica a lhe guiar. E assim também a luz do luar.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Transcrições De Uma Carta - parte II: A Casualidade dos Trânsitos Humanos

 E contamos dos nossos gostos e um pouquinho do cotidiano. Só. Se for tentar me lembrar de como eu e ele estávamos, me vem à cabeça o meu costumeiro coque já desgastado, efeito pós-ensaio. Ele, moreno claro, maior que eu mas não muito alto, cabelo bagunçado, de barba e bigode, com jeito de quem gosta de viajar (detalhe que mais tarde fui descobrir ser verdade) e de palavrear, mesmo tendo dito, muito tempo depois, que palavras são traiçoeiras feito o mar. Pois bem... nos despedimos e partimos para os nossos rumos. Meses depois nos reencontramos da mesma forma que a vez anterior, trocamos ideias e telefones. Combinamos até um almoço que nunca se realizou, pois que poucos dias depois eu perdi meu celular e de quebra, minha agenda. Com isto também perdemos contato de vez então, até eu esquecer seu nome e mal ser capaz de recordar suas feições. E criou-se uma histórinha: a casualidade dos trânsitos humanos.

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