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Um passarim, que canta baixinho e faz seu ninho, que é pr'um dia acolher seu bem que vai chegar. Um passarim, que bica uma flor e nem por isso é beija-flor. Um passarim, que também é peixe, que resolveu fazer do céu o seu mar. E assim vai voando, e cantarolando, até se encontrar. E enquanto isto, o sol fica a lhe guiar. E assim também a luz do luar.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Gota d'água

O que eu aprendi com tudo isto? Está para completar 4 meses que terminamos e o que eu aprendi com tudo isto? O que nós aprendemos? O que aconteceu ou deixou de acontecer? O que me faltou? O que me excedeu? O que descobri? O que arrisquei e o que não arrisquei? Como ele percebeu tudo o que se passou? Como ele percebeu a crise que tive? E sabe-se lá se há respostas pra elas todas...

Há cinco anos atrás sofri de ansiedade e pânico. No início era apenas a ansiedade. Eu comia por duas pessoas. Minhas irmãs até me chamavam de broca. Além disso, não estava conseguindo conversar com as pessoas da minha casa, estava agressiva. Era a ansiedade já em proporções desmesuradas. Usava roupas que me dessem a sensação de estar coberta. Me escondia de tudo e de todos. Chegou um sábado em que fui para uma festa e depois dela acho que tudo o que se passava comigo teve o seu ápice. Era uma festa de uma colega minha do ensino médio. Estava a fim de um garoto que estava um pouco conturbado, pois estava passando por problemas também. Ele disse na minha cara que não ficava com garotas bêbadas. E eu havia bebido, mas não havia ficado bêbada. Voltei para casa toda falante e minha mãe pensou que estivesse tudo bem. Porém, quando fui dormir é que vi que não conseguia e fiquei nesta insônia por dias, mesmo recebendo calmante no pronto-socorro aonde minha mãe havia me levado. Neste momento eu já não estava raciocinando bem, eu estava meio ou totalmente nonsense. Tinha medo e alucinações, dentre elas tive uma que considerei belíssima. Foi quando enxerguei uma rosa se configurando sobre a palma da minha mão. Ao me tratar, passei pelo uso de alguns remédios. Os que me lembro são: Tegretol, Tolrest e Rivotril, até chegar no cloridrato de sertralina e na Risperidona, vulgo 'Respiraedorme', por causa de seu efeito sonífero. Além disto, ia me consultar com uma psiquiatra e psicoterapeuta, uma vez na semana. Perdi, se não me engano, dois meses de aula, período em que estive em tratamento. Após um tempo fui liberada da Risperidona, ficando só na sertralina, sendo sua dose diminuída aos poucos. Em 2009, para ser mais exata, em finais de 2008, me sentindo melhor, negligenciei o uso da sertralina, sendo que a dosagem já era baixa e estava perto de para de tomá-la, dando continuidade à terapia somente. Este mesmo ano estava sendo um ano e tanto para mim. Estava crescendo, me desenvolvendo bem no ballet e isto para mim era uma felicidade imensa. Havia começado em 2008, com uma idade já avançada para a sua prática. Então, minha alegria não era pouca. Na faculdade, eu havia mudado minha habilitação no curso e estava gostando das disciplinas. Estava comprometida com os ensaios de um festival de uma escola de dança da qual já participei. Estava com uma agenda cheia e fazendo uma matéria a mais como ouvinte. Mas num dos ensaios que tive acabei me machucando e necessitei de repouso obrigatório. Acabei tendo que sair do ballet. Engraçado é que talvez não fosse este acidente, eu não teria conhecido meu ex-. O mais interessante foi ter tido, na época, uma conversa com uma prima minha sobre eu estar neste momento de passar por esta experiência, de namorar, de curtir os pequenos prazeres da vida, de ter tempo para eles. Ela me disse isto numa sexta-feira. No dia seguinte, vou a uma festa de aniversário de uma amiga minha, ainda meio sem querer ir pois estava muito triste, e lá eu conheço meu futuro ex-namorado. Um dos momentos que mais gostei de quando estávamos juntos foi no dia da apresentação do festival. Já era noite e chovia. Ele foi para o ponto de ônibus comigo. Ia me deixar em casa para depois ir para a casa dele, mas então fomos comer pois estava faminta. Como gostei deste dia... e de outros também. Mas acho que desde este momento eu já iniciava minha segunda crise. Tudo bem ser normal ficar meio aéreo quando se está apaixonado, mas eu começava a ficar fora de mim mesmo. Foi como se meu raciocínio começasse a ficar bloqueado. E isto é terrível e constrangedor, ainda mais ao lado de quem você gosta. Porém estava só no início, ainda não era perceptível para a própria Hortênsia daquela época. Talvez para os outros que me conheciam a mais tempo (minha família) sim, mas para mim não. E então me pergunto, e para ele? Depois, fiquei num melindre de temer perdê-lo, o que acho que piorou minha situação e ainda havia tirado férias da terapia. Começava a perceber dentro de mim que as coisas estavam ficando descontroladas. Eu estava ficando sem dormir e sem conseguir focar minha atenção para nada do que eu fazia, menos ainda quando estava com ele. No início, me sentia tão feliz que não me cabia no meu próprio corpo. Era uma sensação boa, mas de fato, perigosa. Não faz bem perder a capacidade de raciocinar por explodir de alegria... Minha mãe parece ter percebido isto melhor do que eu, pois ela me convenceu a voltar para a terapeuta. Então voltei e também voltei com os remédios. Mas parece ter sido tarde demais... ou cedo. Minha crise não foi aguda como da primeira vez. No entanto, foi o suficiente para que eu não falasse coisa com coisa na maioria das vezes e não completasse meu raciocínio. E parece também ter sido o suficiente para ser o principal motivo do término do namoro. Ou a gota d'água. E doeu...
É, devo me cuidar... mais e sempre.