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Um passarim, que canta baixinho e faz seu ninho, que é pr'um dia acolher seu bem que vai chegar. Um passarim, que bica uma flor e nem por isso é beija-flor. Um passarim, que também é peixe, que resolveu fazer do céu o seu mar. E assim vai voando, e cantarolando, até se encontrar. E enquanto isto, o sol fica a lhe guiar. E assim também a luz do luar.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

DESAGUANDO EM MARES

"Fiquei feliz em poder sentir tua falta, - a falta mostra o quão necessitamos de algo ou alguém. É assim o nosso ciclo. Eu te preciso. Perto, longe, tanto faz. Preciso saber que tu estás bem (...). Ah, e eu estou te esperando, com meu vestido longo, óculos escuros grandes e meu coração pulsando forte, e te abraçar até sentir o mundo girar apenas para nós. É, eu gosto muito de ti." - Caio Fernando Abreu

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e eu transbordo pra fora das bordas do navio. sem medo. pra quê ? -  o mar me abarca. e não sou de chumbo, não preciso afundar. ele me leva pro porto. ele me tira do porto. mas me coloca perto, mesmo quando distante, da morada onde repousa o que de mim é eterno.

e de gota em gota vou-me passo à passo, de encontro pr' um abraço... que se é de chegada é também de ida.
e vai me dizer, que pra quem vive em terra, a vida não é assim?

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Corpo-Matriz e seus canais perceptivos

 Como esboçado anteriormente, indiquei a concepção do corpo do ser humano como sendo uma matriz. Com isto, eu não quero restringir esta noção: a matéria que nos constitui também é suporte e tem em si a propriedade intrínseca de dialogar, de interferir e sofrer interferências. Assim, não nos colocamos à parte do conceito de agente transformador, mas o juntamos ao de (re)produtor de visões de mundo. Aqui vou me reservar a anotar pesquisas gerais (ainda superficiais, mas nem por isto, sem importância) sobre os canais que viabilizam esta troca de informações, as interações cognitivo-afetivas com o meio: nossos canais perceptivos (e como se contaminam - relações sinestésicas), ou, creio eu, os sentidos do corpo, sob o foco do conhecimento, levando em  consideração também o pensamento. (...)

Deste pressuposto - interações cognitivo-afetivas com o meio e as relações sinestésicas, é que pretendo orientar minha pesquisa sobre as impressões corporais, que representa a intersecção entre a gravura e a dança, no campo expandido das concepções sobre ambas.

domingo, 14 de agosto de 2011

Impressões Corporais

 Todo artista tem por essência uma coisa: expressar o subjetivo dentro de um espaço e um tempo. Então, cria-se uma realidade paralela. Este processo se caracteriza pela objetivação das impressões que ele elabora da relação com tudo o que se constitui como o mundo com que troca experiências (*e elas serão sempre entre Um e Outro(s)) . Subjetivo e objetivo não se dicotomizam, mas se integram numa tentativa de satisfazer a ação do autor, mesmo ele não tendo um conhecimento teórico e acadêmico sobre isto. Vide a arte pré-histórica, constatando que assim que o homem começa a estabelecer uma reflexão sobre suas práticas/ações/atitudes, a construção de um arcabouço teórico e, mais pra frente, acadêmico, se inicia para uma identificação deste conhecimento então produzido.
 Nós todos, sejamos das artes cênicas, da música, das artes visuais ou da literatura, então, registramos nossas percepções interiores interferindo na relação entre as estruturas tempo/espaço. Interferimos registrando, para se criar memórias (para estabelecermos lugares das nossas relações cognitivo-afetivas: lembrei-me do não-lugar, Mairia...). Afinal, sem lugares estabelecidos, perdemos referências (e sem referências, caímos num 'vazio'?...). E se registramos é porque gravamos. A matriz está em algum local: está em nosso corpo, em todos os seus sentidos - eis então, a matriz primordial do ser humano. Pois é preciso especificar de que se trata de algo nosso, do homo sapiens, já que registros e memórias são encontradas também na Natureza, desde o primeiro momento de sua existência. Nós homens é que não sempre estivemos presentes, participando destas ocorrências alheias.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Notal mental

Fuga(cidade), cebolas, hologramas, intervenções sobre o papel, luz e sombra.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Transcrições De Uma Carta - parte III: Gravura e Dança - no que diz respeito a ambas

'Explicando melhor sobre meu projeto na gravura, ou tentando ao menos, é provável que assim eu acabe me auxiliando a concatenar minhas ideias. Primeiro que minha vontade de usar a dança como fio condutor/matéria-prima conceitual para desenvolver meu trabalho fez com que eu criasse o blog Im.Corpo (Impressões Corporais). Este nome me veio enquanto buscava um ponto em comum entre a gravura e a dança: esta última não deixa de ser uma impressão do corpo na massa atmosférica e no solo, porém de propriedade efêmera. É da ordem do instante. A matriz para o registro das ações de um bailarino é sua memória, sua cabeça, com uma ajuda de gravações de vídeos e notações coreográficas. (...)'

 Este é um trecho da carta que resolvi introduzir aqui. Não vi maneira melhor de começar. O detalhe é que 'impressões corporais' é um tema amplo, riquíssimo. Afinal, o que não deixa de ser uma impressão corporal? Ela envolve tanto as questões do saber quanto as do saber de experiência. No entanto, esta característica pode tornar as coisas mais complexas, pois as ideias aumentam e o modo de concretizá-las às vezes se complicam.

 A dança tem um aspecto essencial: ela é movimento, não deixa de ser uma arte cinética. Há dinamismo. Mesmo assim, é possível estudar a pausa, o intervalo, dentro de sua seqüência que é efêmera. Seria como fragmentar a imagem em ação em vários frames: as fotografias dos instantes remanescentes, que se vistas isoladas, não sabemos se ela representa meio, começo ou fim. Toda  dança é efêmera, mesmo sendo um mesmo espetáculo apresentado inúmeras vezes pelas mesmas pessoas.  Talvez por ser uma expressão artística por demais humana e o homem está sempre se transformando e alterando o meio em que vive, alerta ou não.
 As relações sinestésicas não poderiam ser descartadas também quando se estuda as convergências entre dança e artes visuais, analisando a primeira com a gramática da segunda, sendo que esta última se apropria em grande parte do vocábulo da música.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Pois se enganam alguns. Pois se iludem alguns. E estes alguns somos todos. O que agora faço é sair deste 'todos'.

Eu não quero preencher vazios. Eu quero compartilhar aquilo que está cheio em mim.
Não quero permanecer na bolha de contos de fadas. Permito-me viver ilusões fluidas e permeáveis somente, o suficiente para perceber a realidade quando esta se ausenta nos instante que se sonha a idealização. Eis que percebo a coisa toda agora ser assim:
Primeiro, porque, ' Enquanto não superarmos a ânsia do amor sem limites, não podemos crescer emocionalmente. Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um.' - Fernando Pessoa. 
 E este é meu parágrafo único para se viver a dois 
Eu não quero preencher um vazio. Quero compartilhar o que está cheio em mim. Portanto, não quero moldes que caibam em meus sonhos. Assim não há a graça da espontaneidade, logo, não me venha com o blues da piedade. Eu quero é saber dos seus, realizar os meus, compartilhar os sabores das venturas e desventuras que deles 'provirem'. No meio do caminho, que não nos impeçamos todavia, de inventarmos nossos sonhos. E que os intentos de fazermos com que eles nascam e vigorem em terra, não diminuam nossa fé pelo céu que nos orienta e por tudo o que faça dele sua morada.
P.S.: Sem tempo para revisar, mas aceito críticas, mesmo assim. E acho que consegui transmitir a essência.




 
 

sábado, 9 de julho de 2011

400 dias...

 Uns pares pra mais ou pra menos. O que importa é que havia se passado pouco mais de um ano e eu comecei a sair do casulo de vidro que havia tecido em torno de mim (muitas coisas aconteceram) e, além disto, disposta a olhar meu percurso acadêmico por uma outra perspectiva. Motivos? Todos! Mas talvez, o mais forte tenha sido o de querer aproveitar o tempo: ele tira de mim e de todos tudo o que ele quer, mas se não tirasse, nada aconteceria. E eu só posso usufruir-lo enquanto ele passa e nos toma o que parecia nos pertencer. Neste exato momento - sim, pois assim foi- em que retomei a vida pulsando ao meu redor e ecoando em meu interior à mesma altura, o desconhecido do ônibus me reencontrou pelo mundo virtual. Digo desconhecido, pois não me recordava mais dele... Mas quando se reapresentou, pareceu-me já uma figura antiga da minha roda de amigos. Conversas vão, conversas vem, ele me perguntou dos meus sonhos. E por aí se enquadram todas as ideias a respeito das relações entre a gravura e a dança e outras diversas coisas mais, mas estas últimas não vem ao caso agora...
 Enfim...